Trabalhar a partir de casa – O sonho (Parte 2)
Há uns dias atrás iniciei um artigo sobre as vantagens e desvantagens de se trabalhar a partir de casa, o qual vou aqui continuar a desenvolver:
4 – Elevado potencial de rendimento
Trabalhando a partir de casa não precisamos de esperar sempre pelo fim do mês para ganharmos, em muitos casos, um rendimento ridículo. A qualidade do nosso trabalho irá determinar o nosso rendimento. Se trabalharmos com afinco e com inteligência, podemos chegar a um potencial de rendimentos ilimitados, mas…não é fácil, é necessário ter um plano de negócio inteligente e ajustá-lo consoante o nosso crescimento. É necessário ser muito organizado, ter o nosso objectivo sempre focado e muito persistente.
5 – Acabam-se as hierarquias
Não temos mais de esperar por uma promoção no emprego, se é que elas existem. Quem trabalha partir de casa promove-se as vezes que quiser e quando quiser. Não temos de ver o indivíduo X a passar-nos à frente porque é bom em relações e assim dar uma graxa ao patrão, por exemplo, mas… talvez tenhamos de ver concorrentes directos passarem-nos à frente pelas mesmas razões. Podemos perder clientes, leitores, negócios, contratos, etc; porque não estarmos a trabalhar com inteligência suficiente para construir-mos relações. Quero com isto dizer que em qualquer negócio tem de existir sempre relações humanas e quem melhor as criar, mais sucesso terá.
6 – Acabam-se as interrupções
Não temos que nos preocupar com o indivíduo X que passa pelo nosso gabinete todos os dias a interromper a nossa produtividade, mas… existem dois potenciais desafios:
· Quem viver com a família ou partilhar algum quarto com alguém, irá ser interrompido inevitavelmente. Quem tiver filhos, ainda mais difícil fica, principalmente se eles forem ainda crianças e eu que o diga.
· Quem vive sozinho, tem de enfrentar o problema do isolamento. Com o isolamento, não temos colegas com quem trocar ideias ou pedir concelhos. Terá de criar uma “equipa” online.
Continua…



Foco e persistência. Nem mais. E depois, lá está, há o resto… Sobretudo a parte da família com infantes
Também é a minha experiência, ainda por cima com duas crianças pequenas a cirandar e a chorar pela casa… e realmente não é fácil conciliar um ambiente de trabalho com um ambiente doméstico. Resta-nos a ambição da independência e da (relativa…) liberdade.
No meu caso, já agora desculpem lá a partilha, ainda não consigo rendimentos suficientes nesta actividade independente (internet, what else…) para largar um emprego a contrato e a tempo inteiro, mas estou a trabalhar com esse objectivo, muitas vezes madrugada fora e sacrificando noites de sono. Não só por ter feitio de “mocho”, mas porque o referido ambiente doméstico só permite alguma concentração a partir de uma certa (má)hora…
Enfim, não é fácil a conciliação. Daí que tenha como prioridade, mal tenha possibilidades, mudar o espaço de trabalho para um sítio dedicado, nomeadamente alugar um escritório ou um espaço fora de casa, até pode ser um T0 aqui a quinhentos metros do prédio.
Desta forma, penso eu, será muito mais fácil disbiplinar-me e criar rotinas de trabalho. E sobretudo evitar ser constantemente interrompido pelas urgências caseiras… É pelo menos esta a minha opinião em relação ao “trabalho em casa”: Independente sim, “em casa” nem por isso. É realmente muito mais atractivo e exequível quando se vive sem família, apesar do isolamento…
ps: Já agora, desculpa lá a emenda, mas esses “concelhos” são com “s”. Defeitos profissionais de velhos jornalistas picuinhas…
O maior desafio, pelo menos para mim quando decidi montar o escritório em casa, foi manter a disciplina, definindo horários para o trabalho e família.
No início tendemos a fazer com que o negócio se torne em tempo total e não integral (rsrs), ou seja, o trabalho passa a querer tomar conta da gente e passamos a não ter mais tempo para nada. Em vez de trabalharmos 8 horas diárias, passamos a estar ligados 10, 12, até 16 horas por dia. Logo as reclamações começam a surgir por parte da nossa família, exigindo um pouco mais de atenção. Além disso, nem sempre trabalhar demais é sinômimo de produtividade.
Agora, também pode acontecer justamente o contrário e em vez de não ter hora para trabalho, pode ser que não tenha trabalho, ou seja, bater aquela falta de comprimisso ou porque não dizer preguiça mesmo e começar sempre a “vou deixar para depois”, “não preciso fazer isso agora”, e por aí vai.
Trabalhando em casa, temos que cultivar a disciplina e termos a consciência de que somos profissionais e devemos tratar o negócio como deve ser tratado.
Sds,
Luiz Carlos
Distribuidor Independente